CONCURSO ABERTO NA USP (SP)

June 29th, 2009

O Departamento de Teatro da ECA USP está com concurso aberto na área de Corpo e Movimento, com inscrições no período entre 29/06/2009 e 17/08/2009.

Como a instituição está em greve, o edital ainda não está online, mas poderá ser visto em : 

 http://www.usp.br/drh/

no link concursos docentes.

É necessário ter doutorado.

Por favor, passem adiante para as pessoas que vocês acharem  que podem se interessar.

ESPAÇO PARA REFLEXÃO

June 24th, 2009

Sempre peço para escreverem para o vestindoacena contando resultados de oficinas, trabalhos etc. É interessante que este espaço sirva como meio para dividir conhecimento e experiências. A aluna Julia Sato, do curso Têxtil e Moda, da EACH-USP, nos enviou um emocionante relato sobre suas criações. Leia abaixo:

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Concurso Moda Inclusiva

Tema: Primavera e Outono

          O Concurso Moda Inclusiva coordenado pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e apoio do PenseModa, Vicunha, São Paulo Fashion Week e Universidade Anhembi Morumbi, incentivou estudantes universitários de todo o Estado de São Paulo a apresentarem propostas de vestuário adaptado que atendessem às demandas do público com deficiência. O mercado de vestuário para pessoas com deficiência ainda é pouco explorado. No Brasil, existem hoje 24,6 milhões de pessoas com deficiência. Somente no Estado de São Paulo são cerca de 4,2 milhões, ou 17% do total do país. Nos últimos anos, esse nicho vem crescendo e o tema tem ganhado ainda maior relevância em função da Lei de Cotas (Lei 8213/91), que estabelece uma reserva percentual de vagas em empresas aos trabalhadores com deficiência.

No desfile final do concurso, ocorrido no ultimo dia 9 de junho de 2009, foram apresentadas diversas propostas adaptadas às necessidades dos deficientes. Por exemplo, as roupas que receberam a terceira colocação no concurso foram desenvolvidas por Julia Harumi Sato, estudante de Têxtil e Moda da EACH-USP. As peças com o tema “Primavera e Outono” foram inspiradas nas características das estações do ano, nas composições de Vivaldi, na obra de Antoine de Saint-Exupéry, nas bailarinas de Fernanda Bianchini, nas cenas do filme “Dolls” de Takeshi Kitano e nos jogos e brincadeiras destinados aos deficientes visuais.  A idéia proposta pela finalista do concurso foi criar roupas para crianças cegas, mas que não se diferenciassem visualmente por esse aspecto numa busca pela inclusão verdadeira.

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JULIA SATO:

São roupas adaptadas à suas realidades, no meu caso, as modelos eram bailarinas. O enfoque principal das criações estava no desenvolvimento dos sentidos primordiais para as crianças como o tato, a audição e o olfato através do estímulo das sensações.  Como enfatiza a famosa frase em o Pequeno Príncipe, obra literária infantil (“o essencial é invisível aos olhos”), o essencial das roupas não estava na visão, mas no invisível. O invisível nesse caso foi logo percebido e identificado pelas bailarinas com deficiência visual que descobriram os detalhes das roupas, como o bordado em pérola do corpete com a frase em braile de Antoine de Saint-Exupéry, os seis botões removíveis da blusa que combinados formavam todo o alfabeto braile, as texturas diferenciadas das folhas na saia que lembravam o jogo de memória para cegos, no perfume de lírio das flores aplicadas e no som dos botões inspirado no boneco Braillín.

A satisfação pelo trabalho veio da constatação de que o objetivo da proposta havia sido alcançado. As crianças se divertiram com as roupas e as bailarinas brilharam no palco. Pela primeira vez na vida elas sentiram que uma roupa havia sido feita sob medida para elas, em todos os aspectos. O essencial realmente é invisível aos olhos. 

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Agradecimentos: Thalia Macedo e Thalia Matos (modelos deficientes visuais), Organização do Desfile, Jurados, Olivia (stylist), Ana Cristina, Família Sato, Henrique e Neide Yagi, colegas e professores de Têxtil e Moda, Ana Clara Almeida, Lys Sugano, Livia Kishimoto, Paula Rindeika, Denise Shirane, Harumi Adachi, Mariana Brites, Michele Simões, Fernanda Bianchini e Fundação Dorina Nowill. 

Apoio: Vicunha Têxtil e Só Dança (acessórios de balé).

EXPOSIÇÃO ARTES VISUAIS (RJ)

June 17th, 2009

Clique para ampliar e facilitar a leitura.

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CCSP BUSCA ESTAGIÁRIOS (SP)

June 16th, 2009

ENCAMINHANDO SOLICITAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS!
 

olá amigos,
estamos precisando de estagiário de arquitetura aqui no CCSP.
ele trabalhará bastante comigo, desenvolvendo projetos para exposições e também desenvolvendo desenhos de reforma, layout de espaços e mobiliário.
 
o telefone para contato aqui no CCSP:
t.3397.4034
falar comigo, ou arq.Ana Pimenta.
 
meu email para envio de Currículo:
bartiraghoubar@prefeitura.sp.gov.br 

ESPAÇO PARA REFLEXÃO SOBRE FIGURINO

June 15th, 2009

Enviado pelo Prof. Fausto Viana

Pessoal,
 
Este ano, o Colóquio de Moda abre suas inscrições para a participação de pessoas interessadas em figurino teatral. Há dois grupos, que trabalharão juntos - Traje de Cena e Figurino: design de aparência de atores.
 
As normas para envio de trabalhos, em diversos formatos, estão no site:
 
http://www.coloquiodemoda.com.br/
 
O evento é muito grande, significativo e é uma possibilidade de firmarmos a linha de pesquisa “indumentária”. A participação é aberta para pesquisadores em nível de graduação e pós (mestrado e doutorado).
 
Um abraço,
 
 
Fausto Viana
 
PS- Por favor, encaminhem o e-mail para as pessoas que vocês acham que podem participar. É um momento muito importante!

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Na home do site do colóquio

apresentação

O Colóquio de Moda é o maior congresso científico/acadêmico de moda no Brasil. Neste ano, a Faculdade Boa Viagem acolherá a 5ª edição do evento recebendo seus participantes e integrando, dessa forma, pessoas que fazem a diferença para o mundo da moda.

período | 27 a 30 de setembro de 2009

local | Faculdade Boa Viagem – Recife - Pernambuco

público alvo

Aberto a pesquisadores, docentes e acadêmicos de Moda, bem como profissionais de Design, Artes Plásticas, História, Psicologia, Sociologia, Marketing, Jornalismo, Comunicação, Administração e áreas afins.

objetivo

Proporcionar o encontro entre pesquisadores, docentes, acadêmicos, profissionais de Moda e áreas de aderência - Psicologia, Sociologia, Marketing, Jornalismo, Administração, Artes Plásticas, Design e História e promover a reflexão, o questionamento e relações entre as várias formas de abordagens da moda.

WORKSHOP NA VILA MARIA ZÉLIA (SP)

June 8th, 2009

 Participamos do módulo 1 do workshop com Renato Bolleli Rebouças para visualizarmos melhor seu modo de trabalho. A oficina permite uma integração com a vila histórica e os bastidores do grupo XIX de Teatro. Além disso, a troca com os integrantes da oficina e a possibilidade de experimentações práticas são bons motivos para fazer parte deste workshop. Inscrições até amanhã! Início na próxima quarta-feira! Leia abaixo:

NUCLEOS DE PESQUISA DO GRUPO XIX DE TEATRO 2009
 

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?POÉTICAS DA DESTRUIÇÃO ? TRADIÇÃO: GAMBIARRA?

 A SEGUNDA ETAPA DO NÚCLEO DE PESQUISA EM DIREÇÃO DE ARTE DÁ CONTINUIDADE AO TEMA

DESTRUIÇÃO COMO ELEMENTO POÉTICO, A PARTIR DA RELAÇÃO COM MATERIAIS ABANDONADOS, EM DIFERENTES FORMAS. OS ARTISTAS PESQUISARÃO COMO A APROPRIAÇÃO DOS MATERIAIS PODE DESENVOLVER  NOVAS POÉTICAS PELA RESSIGNIFICAÇÃO.

O FOCO DA CRIAÇÃO SERÁ UMA “FÁBRICA DE CHUVA”, CONSTRUÍDA PELA PRÁTICA DA GAMBIARRA.

 COM

 RENATO BOLELLI REBOUÇAS, DIRETOR DE ARTE DO GRUPO XIX DE TEATRO

 O TEMA DESTRUIÇÃO VEM SENDO UTILIZADO COMO BASE PARA PROJETOS POR BOLELLI REBOUÇAS, NA REALIZAÇÃO DE CENÁRIOS, FIGURINOS E LOCAÇÕES PARA DIFERENTES MÍDIAS, COMO O TEATRO, O CINEMA E A PERFORMANCE. ESTA PESQUISA LHE PERMITIU CONSTRUIR UM OLHAR APURADO SOBRE A QUESTÃO, LIVRE DE CONCEITOS DETERMINADOS SOBRE RECICLAGEM E SUSTENTABILIDADE, TOMANDO DOS MATERIAIS DISPONÍVEIS EXPRESSÕES RELATIVAS AO TEMPO E À MEMÓRIA.

PERCORRENDO RUAS, EDIFÍCIOS ABANDONADOS, BRECHÓS, LOJAS DE MATERIAIS USADOS E LIXOS,  COLETAREMOS FRAGMENTOS  REINSCREVENDO-OS ATRAVÉS DO FAZER ARTÍSTICO. ESTE CAMINHO TEM SIDO APONTADO PELO DIRETOR DE ARTE COMO UMA ALTERNATIVA AO INTENSO CONSUMO AO QUAL MUITAS VEZES A CENOGRAFIA SE LANÇA, MOSTRANDO ASSIM AS POTENCIALIDADES INSCRITAS EM SITUAÇÕES DE ABANDONO, TIDAS COMO MENOR VALOR, E GERALMENTE ASSOCIADAS À FALTA DE RECURSOS.

 INSCRIÇÕES PELO E-MAIL: ESTUDIOCAZUA@HOTMAIL.COM  MEDIANTE CURRÍCULO E CARTA DE INTERESSE.

 DATA LIMITE PARA INSCRIÇÃO: 09 DE JUNHO

 PERÍODO: 10 DE JUNHO A 29 DE JULHO, QUARTAS FEIRAS, DAS 19H AS 22H.

 LOCAL: SEDE DO GRUPO XIX DE TEATRO - VILA MARIA ZÉLIA.

 PARA SABER MAIS! VEJA O FLICKR DO MÓDULO 1: TRADIÇÕES: TECIDOS

http://www.flickr.com/people/poeticadadestruicao/

www.grupoxixdeteatro.ato.br 

EXPOSIÇÃO DE TRAJES NA ECA - USP (SP)

May 18th, 2009

Começa hoje a exposição Tramas do Café com Leite, resultado de projeto de pesquisa, apoiado pela Fapesp, do Prof.Dr. Fausto Viana - professor de cenografia e indumentária do curso de Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

Leia abaixo trecho da Apresentação, contida no catálogo da exposição:

Apresentação

O primeiro olhar diferenciado para um certo tema desperta o que chamamos de “princípio de um processo de pesquisa”. A partir de então, começa a aventura das descobertas e, quando se trata de Fausto Viana, podemos considerar o início de uma obsessão, que depois se torna contagiosa e ele vai impregnando todos à sua volta com a paixão de suas experiências. O ponto de partida deu-se em 2004, quando o professor e pesquisador teve a ideia de descobrir o que se vestia no Brasil desde a sua “fundação”, em 1500: o porquê de um traje, o quando se vestia, como ele era feito e vestido… questões respondidas em outras fontes, mas nunca agrupadas em um formato metodológico ou rigoroso. Dois anos depois, o projeto é aprovado pelo Departamento de Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes da USP, mas com a pesquisa limitada aos estados de São Paulo e Minas Gerais entre 1889 e 1930, a Primeira República. Daí para o título Tramas do Café com Leite – em referência aos fios entrelaçados na alternância política de dirigentes paulistas e mineiros na Presidência da República – foi um pulo.

A divisão por segmentos na análise dos trajes se mostrou necessária e foi modificada até chegar na divisão: traje eclesiástico, que remete à igreja e cultos religiosos;  traje militar, que possui uma dinâmica intensa de significados; e traje civil, relativo às vestes do cidadão. O traje civil foi subdividido em categorias: o traje social – indumentária das atividades sociais; o traje de cena – a indumentária das artes cênicas, que abranje trajes de teatro, dança, circo, mímica e performance (no sentido em que é tratada na pesquisa); o traje regional – a indumentária característica da região, como o traje do gaúcho, que é usado também no trabalho cotidiano (em Portugal, esta categoria costuma receber o título de traje popular, o que no Brasil seria restritivo, já que traje popular seria aquele usado por todos); o traje profissional – a indumentária usada nas atividades profissionais exercidas pelos civis; traje interior (ou íntimo), que  passa por todo um segmento de peças que são usadas por dentro ou por baixo do traje externo: cuecas, calçolas, ceroulas e similares, mas também ancas, anáguas e crinolinas; e, finalmente, o traje dos folguedos, que é a indumentária usada nas festas, nos divertimentos e nas brincadeiras de caráter popular na qual entram, da mesma forma, os trajes folclóricos ou das festas populares cristãs, afro-brasileiras e ibéricas.

É natural em toda pesquisa museológica que se encontrem mais dados sobre as classes mais abastadas. No caso do estudo da indumentária, o mesmo ocorre. Um dos fatores é porque as classes não abonadas, em geral, não tinham mais que dois conjuntos de trajes, que se revezavam entre as lavagens. Consequentemente, por serem tão usados, não tinham chances de preservação. Porém, mesmo com esta dificuldade, foi investigado ao máximo quais eram estes trajes, estando alguns deles presentes na exposição, bem como representantes de todas as categorias propostas.

Aberta em caráter experimental, a pequena mostra busca um primeiro contato com o público. A ideia é conseguir ouvir, sentir a percepção sobre os trajes, os desejos sobre o que deveria ficar e o que poderia ser modificado.

Há informações disponíveis ao longo do trajeto, mas muitos outros complementos podem ser obtidos no endereço eletrônico http://tramasdocafecomleite.wordpress.com. Comentários, críticas e sugestões podem ser enviados para e-mail faustoviana@uol.com.br.

O projeto As Tramas do Café com Leite reflete, documenta e inicia a criação de um banco de dados com imagens dos trajes que formaram estes dois importantes estados brasileiros, de grande importância na configuração atual da República.

Um dos resultados finais é a exposição com a reconstrução dos trajes do período, além de têxteis encontrados em pesquisa de campo na região de Minas e São Paulo, nas diversas cidades contempladas pelo projeto. Ainda poderá ser conferida uma releitura da aplicação das tramas, texturas, cores e formas dos trajes que permearam a criação dos trajes brasileiros nestes dois estados, permitindo uma criação artística importante como exercício de concepção do novo, embasado nas tradições seculares. O texto sobre o trabalho estará disponível em breve, mas poderá ser conferido, em parte, no catálogo da exposição.

As Tramas do Café com Leite tem exposição aberta ao público entre os dias 18/maio a 24/maio na ECA-USP. A mostra recria as indumentárias de paulistas e mineiros entre 1889 até 1930, investigando a origem e a natureza dos trajes.

SERVIÇO
Data:
18 a 24 de maio de 2008
Horário:
das 10hs às 18hs
Local: Teatro Laboratório da ECA-USP (Sala Miroel Silveira)
Av. Prof. Luciano Gualberto, Travessa J, 215, Cidade Universitária, São Paulo, SP

Para visualizar o mapa de como chegar, clique aqui.


Entrada Franca.

 

AUGUSTO BOAL VAI…

May 2nd, 2009

Uma pessoa generosa, sábia, que muito me ensinou no pouco contato que tivemos. Entrei em contato com Augusto Boal em 2000 para conversar sobre figurino teatral para a pesquisa do livro que começava a escrever. Conversamos como se amigos há muito tempo e a partir de então, trocávamos e-mails acompanhando os “fazeres” um do outro. Boal sempre foi muito atencioso, solícito…  Votei no seu nome e o indiquei para o Nobel da Paz, acompanhei seus discursos e atitudes sobre o Teatro Fórum, Teatro do Oprimido etc etc etc. Sua conquista da aposentadoria, sua luta contra a doença…

Sempre dinâmico, ativo, participativo. Não preciso falar mais para demonstrar a falta que Boal fará entre nós e para o teatro brasileiro. Leia abaixo a mensagem de Augusto Boal para o Dia Mundial do Teatro, em 27 de março de 2009:

Mensagem de Augusto Boal para o Dia Mundial do Teatro, 27 Março de 2009

Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver. Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de ideias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro! Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática - tudo é teatro. Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana. Em Setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa - nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias. Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: - “Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida”. Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida. Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento - é forma de vida! Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!

Boal, continue fazendo seu teatro sempre!! Una-se aos nossos que já foram e aos cidadãos comuns dos céus e continue seu trabalho de transformar também por aí! Vá em paz! Viva na continuidade, pois no nosso pensamento continuará mais vivo do que nunca. Obrigada!

Augusto Boal

“O teatro tem, através da imagem, a função de revelar a realidade. Por exemplo, existem animais que não são capazes de brincar, como o galo e a galinha, que não brincam nunca. O morcego fica pendurado e você pensa que ele está brincando, mas está dormindo, não sabe brincar. Tem outros animais como o gato, cachorro, cabritinho, especialmente os jovens, que brincam. Mas nenhum animal é capaz de brincar fazendo de conta. O ser humano é o único que faz de conta. Quer dizer, eu faço de conta que sou feliz, ladrão, médico, doente… Nenhum gato faz de conta que é cachorro. Gato é gato. O ser humano faz de conta e, ao fazer de conta, cria uma nova realidade. A maravilha do teatro é criar essa nova realidade. E essa imagem do real é real enquanto imagem. Você faz de conta uma coisa, mas esse fazer de conta é real. Esta é a função geral do teatro: fazendo de conta, você cria uma realidade nova e nessa realidade você analisa a realidade na qual vive e ensaia a forma de transformação. Isso tem a ver com figurino, tem a ver com cenário, tem a ver com tudo que é relacionado aos meios sensoriais de comunicação que, no teatro, são o olho e o ouvido”. (Boal em entrevista para Rosane Muniz, em 2001 para o livro Vestindo os nus - o figurino em cena)

Leia matéria sobre Augusto Boal no site de O Globo.

História da Iluminação Cênica (os gabaritos)

May 1st, 2009

Quem disse que os profissionais de iluminação também não sentem nostalgia?

Na semana que passou alguns desses profissionais e membros da Abric - Associação Brasileira de Iluminação Cênica, trocaram fotografias e histórias de seus antigos “gabaritos” de desenho.

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Os gabaritos de desenho para projetos de iluminação cênica são bastante antigos e até fins dos anos 80 eram ainda eram muito utilizados em projetos, pois os computadores pessoais estavam chegando com preguiça, lentamente no Brasil. Não havia software específico para projeto de iluminação cênica como encontramos atualmente, então, os desenhos das plantas e detalhes, eram feitos à mão, com lápis ou canetas nankim, nas mesas de desenho com réguas paralelas e esquadros e, é claro, com os famosos normógrafos tipo “aranha”, para deixar os textos, legendas, etc. com as letras quase perfeitas.

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Vai daí que os desenhos dos equipamentos incluídos nas plantas eram feitos por meio dos famosos gabaritos, muitos deles oferecidos como brinde por fabricantes e lojas de equipamentos de iluminação. Alguns profissionais também conseguiam alguns nas suas viagens ao exterior.

 

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Muitos gabaritos, além de incluir padrões de equipamentos, permitiam também o desenho de detalhes de cortinas, caixas de dimmers, desenhos de equipamentos, desenhos de circuitos, etc. Assim como na arquitetura, havia gabaritos específicos para informações sobre os detalhes dos sistemas elétricos, de objetos etc.

É curioso notar que, mesmo com toda a evolução dos softwares em nossa área e as facilidades que eles nos oferecem, conceituados profissionais brasileiros ainda falem com tanto carinho de coisas que nos roubavam um enorme tempo. Não era fácil ter que desenhar um a um todos os equipamentos e detalhes de um projeto e ainda por cima ter que refazer tudo de novo quando algo saía errado. Comigo aconteceu várias vezes.

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Mesmo assim, também tenho um grande carinho pelo meu único gabarito, ofertado pelo falecido amigo, professor Adilson Barros, quando iniciei minhas atividades aqui na Unicamp. Fica sobre a minha mesa todo o tempo, não como um enfeite, mas me lembrando de como algumas pequenas coisas podem se tornar muito especiais quando as apreciamos com o coração e com os olhos do tempo. Elas nos contam histórias de nós mesmos, de como éramos e de como somos hoje. Acho que foi por isso que os meus amigos se dirigiram a essas “reguinhas” com tanto carinho e saudades. Elas já são parte da nossa história, da história da iluminação Cênica no Brasil.

Valmir Perez

OISTATBr na IV MOSTRA LATINO AMERICANA DE TEATRO DE GRUPO (SP)

April 29th, 2009

Pelo segundo  ano consecutivo, a Mostra abre espaço para reflexões sobre a cena com a  participação da OISTATBR.

Dias 06 e  07/05 
Workshop 
A Matéria dos  Sonhos (evento paralelo) - Com o cenógrafo espanhol Ramon B.  Ivars

(ver detalhes abaixo)

 Dia 08/05

Mesa  Redonda - DO PROJETO À REALIDADE

A transposição das primeiras imagens do processo  criativo para a realização da obra na produção teatral  contemporânea.

10h Sala Adoniran Barbosa – CCSP
entrada franca

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WORKSHOP (evento paralelo à mostra)

A  Matéria dos Sonhos - Oficina interdisciplinar de  dramaturgia espacial para desenhistas e  intérpretes.
Objetivo: Praticar a leitura  dramatúrgica e a transformação de um espaço  encontrado.
Público  alvo:  cenógrafos, iluminadores, figurinistas, atores, bailarinos, performers.
Lugar: Espaço arquitetônico, não  teatral, com vários ambientes diferentes que permitam a variedade do jogo  cênico. O espaço do Centro Cultural será usado em suas áreas  disponíveis.

Descrição: Transformar plasticamente um  espaço escolhido em um espaço mais adequado para que um personagem possa  interpretar dois textos completamente distintos (Macbeth ˆ Ato V ˆ  Cena V e Sonhos de  uma noite de verão ˆ Ato II ˆ Cena I) com a mínima troca  estética possível e a máxima economia de meios.

Dia  1 ˆ  Apresentação da oficina / Criação dos grupos / Seleção dos espaços / Reuniões  de dramaturgia / Decisões de desenho / Projeto / Busca de  materiais

Dia  2 ˆ  Montagem e ensaios / Apresentação ao público (se  possível)

Programação:

06/05 ˆ 16h às  19h

07/05 ˆ 10h às 16h (com  intervalo para almoço)

            16h30 às 17h30 ˆ demonstrações de trabalhos

Espaço das Oficinas (anexo ao  espaço da Mostra) ˆ Centro Cultural São Paulo

Inscrições gratuitas (até  04/05)
Enviar e-mail, com os dados abaixo, para oistatbr@gmail.com

Nome:

Endereço:

Telefone:

Profissão:

Breve  currículo:

Por que  deseja fazer a oficina?

BREVE BIOGRAFIA 

Ramón B. Ivars trabalha desde  que 1972 como cenógrafo e figurinista para ballet, ópera e teatro. É também  diretor teatral, de TV e de Cinema na Europa. Pemiado em 1982 com o  Catalan  National Theatre Award. Cenógrafo da abertura e da cerimônia de  fechamento da Paraolimpíada de Barcelona, 1992. Atualmente é professor de  cenografia e de projeto do traje no Institut del Teatre, em Barcelona. Em  julho 2007 recebeu, como curador da Mostra da Espanha na Quadrienal de Praga,  o diploma da honra para o segmento de arquitetura  teatral.

MESA  REDONDA

Repetindo o  sucesso de 2008,  a Organização Internacional de Cenógrafos, Técnicos e  Arquitetos Teatrais no Brasil (ABrIC ˆ OISTATBr) traz informações sobre os  eventos internacionais da área e abre espaço para a reflexão da  cena.

A mesa redonda terá a  participação especial do cenógrafo Ramon B. Ivars e será mediada pelo diretor  teatral José  Henrique Moreira, coordenador da Oistatbr. Ainda farão parte  mais três cenógrafos e figurinistas de outros  países.

Do projeto à realidade: a  transposição das primeiras imagens do processo criativo para a realização da  obra na produção teatral contemporânea.

Local: Sala Adoniran Barbosa ˆ  Centro Cultural São Paulo

Dia 08/05 ˆ 10h às 12h30

Para quem ainda não sabe o que é a OISTAT:
A  OISTAT, Organisation Internationale des Scénografes, Thechniciens et  Architectes de Théatre, (Organização Internacional de Cenógrafos, Técnicos e  Arquitetos de Teatro) foi fundada em 1968, em Praga,  Tchecoslováquia, com oito paises membros. É uma cooperativa  não governamental organizada e operada sob o patrocínio da UNESCO. Seu  principal propósito é promover oportunidades de cooperação entre as  organizações teatrais em torno do mundo.

A  partir de 2001 foi aberta a oportunidade para indivíduos participarem das  atividades da organização, uma vez que não existisse um centro da OISTAT em  seu país.

Desde  então, a Organização tem colaborado para o fortalecimento da instituição. O  propósito original da OISTAT era proporcionar o intercâmbio profissional e  pessoal entre os artistas do leste e do oeste europeu. A Organização promovia  oportunidades para que seus associados pudessem trabalhar fora de seus paises,  apesar das diferenças políticas existentes na época e das restritas condições  de viagem. Com o colapso da cortina de ferro e com o crescimento de uma  sociedade cada vez mais informada, novos objetivos tiveram que ser traçados.  As necessidades de seus integrantes são agora muito variadas. A OISTAT hoje em  dia tem associados em todos os continentes, porém na América Latina o único  país a ter uma representação  membro da OISTAT é o Brasil, por enquanto.
A OISTATBr
O  compromisso deste grupo de trabalho diante da Oistat Internacional foi de  promover o intercâmbio de idéias e inovações, encorajando as colaborações  internacionais; estimular o aprendizado contínuo; respeitar as diferentes  integridades culturais e celebrar a diversidade, assim como similaridades  daqueles que trabalham no suporte da criação teatral; e ainda fomentar a  criação de centros em mais países da América  Latina.

Desta  maneira, nos organizamos aos moldes da OISTAT  internacional.

Hoje  o centro brasileiro é formado por seis comissões

(Arquitetura  Teatral; Cenografia ˆ que contém os Grupos de Trabalho Figurino, Sonoplastia e  Iluminação ˆ Educação; Tecnologia; Publicação e Comunicação; e Teoria e  História).

Créditos da  Mostra: Realização - Cooperativa Paulista de  Teatro

          Patrocínio ˆ Petrobras - Lei Federal de Incentivo do Ministério da Cultura -  Centro Cultural São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura da Cidade  de São Paulo
           Co-patrocínio: Caixa Econômica Federal e PROAC ˆ Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura

           Organização Workshop e Mesa-redonda  ABrIC | OISTATBr
IV Mostra  Latino-Americana de Teatro de Grupo
De  4 a 10 de  maio de 2009

Centro  Cultural São Paulo (http://www.centrocultural.sp.gov.br <http://www.centrocultural.sp.gov.br/> )

Rua  Vergueiro, 1.000 - Paraíso - CEP 01504-000 - São Paulo ˆ  SP
Atendimento  ao público: tel. (11) 3397.4000
E-mail: imprensaccsp@prefeitura.sp.gov.br

Galeria de  fotos: www.centrocultural.sp.gov.br/imprensa <http://www.centrocultural.sp.gov.br/imprensa>

Assessoria de  Imprensa: Nelson de  Souza Lima, Iris  Fernandes e Emi Sakai
 Tels.: (11) 3397-4063 e  (11) 3397-4064       
 

Assessoria de  Imprensa:
Manoel Carlos Jr. - manecojr@uol.com.br
Luciana  Lamanna ˆ lu.4@uol.com.br
Daniela  Oliveira ˆ dani.4@uol.com.br
Luiza Goulart  ˆ luiza.4@uol.com.br
Tels: (11)  3667.9826 / 3663.1568 / 3661.2445